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Vhils, criação a partir da destruição

Vhils, nome artístico de Alexandre Farto. Artista de rua, é português, tem 28 anos, cresceu no Seixal e acaba de fazer um vídeo para o último disco dos U2.





Tem murais em mais de 50 cidades de todo o mundo e é, hoje, um dos nomes em destaque na arte urbana mundial. A revista Forbes considerou-o, há poucas semanas, um dos jovens com menos de 30 anos mais promissores do planeta. Em dezembro, a cadeia televisiva CNN referiu-o como um dos melhores artistas de rua do mundo.

De Lisboa a Londres, de Moscovo a Nova Iorque, de Itália a Bogotá, da Cidade do México a Xangai, entre outras metrópoles globais, Vhils cria murais que mostram rostos feitos com uma técnica que combina escavação e pintura. Começou a pintar paredes por volta dos 13 anos, mas foi a esculpi-las com retratos que o mundo reparou nele.

A técnica consiste em criar imagens em paredes ou murais, através da remoção de camadas de materiais de construção, criando uma imagem em negativo.

O resultado visualmente interessante permitiu começar a incorporar a parede como um dos componentes inerentes à própria intervenção. Vhils usa explosivos e martelos pneumáticos para esculpir e dar textura aos seus retratos, uma técnica que tem vindo a desenvolver. Usa também lixívia, produtos de limpeza, ácidos corrosivos e café, entre outros materiais. Escolhe rostos desconhecidos baseados em fotografias, como forma de dar um rosto à cidade e poder às pessoas anónimas.

O interesse pela expressão artística nasce da vivência nas ruas de Lisboa e de Portugal. O trabalho de Vhils desenvolve-se a partir de um contexto em decadência desde os anos 70, na chamada Margem Sul do Tejo, onde cresceu. O contraste da decadência dos murais políticos pintados nas décadas de 70 e 80, depois da Revolução de 1974, com a explosão dos cartazes de publicidade, cheios de cores e formas, sobretudo a partir de finais da década de 80, influenciam definitivamente o percurso de Vhils.

É a partir dos graffiti que Vhils se interessa pela arte em geral, pois rapidamente se apercebe do potencial de comunicação dos graffiti nas ruas. Aliás, foi o que o levou a estudar artes, e tudo o que conheceu depois em termos de arte mundial teve origem nesse interesse pelos graffiti.

A partir dos 19 anos passa a viver em Londres, onde acaba por tirar um curso de Belas Artes, na Central Saint Martins University of the Arts London. É lá que começa a ser conhecido, e consegue que a sua street art de retratos anónimos em paredes danificadas ou fachadas de casas abandonadas lhe valesse o reconhecimento mundial.

A revista Forbes considerou-o, há poucas semanas, um dos jovens com menos de 30 anos mais promissores do planeta.



A vida de Vhils

Oito factos da carreira de Vhils

1 Com 13 anos, já pinta paredes em Lisboa.

2 Em 2004 começa a trabalhar com a técnica de stencil e suportes não convencionais.

3 Em 2006 junta-se à Vera Cortês Art Agency, que o leva à participação em várias exposições coletivas e à sua primeira exposição individual, no início de 2008.

4 Muda-se para Londres, em 2007, para estudar na University of the Arts London (Central Saint Martins).

5 Em Julho de 2014 inaugura a exposição Dissecção, que esteve patente em Lisboa, no Museu da Eletricidade, e atraiu mais de 65 mil visitantes em três meses.

6 Em 2014 realiza o videoclip Raised by Wolves (banda sonora de Films of Innocence) para os U2 e a CNN destaca-o entre os três melhores artistas de rua.

7 Tem apresentado o seu trabalho em festivais de arte urbana, exposições individuais e coletivas e em intervenções pelo mundo fora. De Lisboa e Londres, a Berlim, São Paulo e Moscovo, passando por Bogotá, Los Angeles e Xangai. Tem desenvolvido a sua estética do vandalismo numa multiplicidade de suportes – da pintura stencil à escavação de paredes, de explosões pirotécnicas à modelação 3D – expandindo os limites da expressão visual.

8 Vhils trabalha atualmente com a Lazarides Gallery (Reino Unido), Vera Cortês Art Agency (Portugal) e Magda Danysz Gallery (França e China).