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Roteiro Cultural

O novo Museu dos Coches

O novo Museu dos Coches, em Belém, transporta-nos para as histórias dos veículos que fizeram História no nosso país entre os séculos XVI e XIX. Agora com uma coleção ainda mais completa e diversificada, este museu convida a uma viagem de regresso ao passado num edifício ampliado e moderno.





As 70 viaturas que estão expostas no novo espaço do Museu dos Coches convidam a embarcar numa autêntica viagem aos tempos em que reis, rainhas, príncipes, princesas, duques, duquesas, cardeais e outras personalidades da História de Portugal andavam em berlindas, coches, cadeirinhas e liteiras.

O coche já teve real importância. E era tal que representava o Rei na ausência deste nos cortejos reais. Exemplar raro de viatura régia, o coche de Filipe II é o mais antigo da coleção do museu. Trata-se de um modelo arcaico e corresponde ao tipo de veículo utilizado já em finais do século XVI. Pertenceu ao Rei Filipe II (Filipe III de Espanha) que o terá utilizado na sua visita a Portugal, em 1619.

O percurso das viaturas estende-se pelas duas áreas de exposição do museu: a Ala Sul, com a exposição dos carros mais antigos (séculos XVI a XVIII), que começa com o coche de Filipe II, o mais antigo que se conhece; e a Ala Norte (séculos XVIII e XIX), com a exposição dos veículos mais recentes, não só da Casa Real, mas também com os coches dos eclesiásticos, as liteiras e as cadeirinhas que andavam pela cidade a transportar pessoas, e também um conjunto de coches e carrinhos de criança, entre outros.

Neste museu, pode encontrar-se também uma tríade de coches especial que se destaca por se tratar de coches ricos e bastante ornamentados. Um deles até já foi restaurado por completo e pode agora ser visto tal qual à época. Pertenceram à Embaixada ao Papa Clemente XI, e são viaturas de aparato oferecidas pelo Papa ao Rei D. João V.

Uma das coqueluches é o coche da coroação de Lisboa, um carro triunfal, que fazia parte do conjunto de cinco coches temáticos e dez de acompanhamento que integrou o cortejo da Embaixada ao Papa Clemente XI, enviada a Roma pelo Rei D. João V, em 1716.

Do século XVIII, a berlinda da Casa Real, uma viatura de aparato encomendada para uso desta Casa, apresenta nos alçados e nas portinholas os escudos das armas reais portuguesas. E da segunda metade do século XIX, pode encontrar-se, entre muitas outras, viaturas de passeio para criança. Uma delas oferecida pelo Rei de Itália, Vítor Emanuel II, pai da Rainha D. Maria Pia, a seu neto, o príncipe D. Carlos, futuro Rei de Portugal.

Neste espaço, pode acompanhar-se as evoluções técnicas dos veículos ao longo dos séculos, desde o XVI até ao XIX. Cadeirinhas, liteiras, berlindas e coches variados compõem a coleção completa de viaturas hipomóveis do novo Museu dos Coches, que também apresenta em vitrinas um conjunto de peças que foram utilizadas no serviço das viaturas e cortejos de gala e outras ligadas à arte da cavalaria e aos jogos equestres, assim como uma coleção de retratos da família real portuguesa.

O novo Museu dos Coches apresenta-se agora com uma coleção mais completa, contando com os 20 carros que chegaram de Vila Viçosa ao novo espaço em Belém, e com mais tipologias, sobretudo do século XIX. Exemplo disso mesmo é o carro da Mala-Posta, o primeiro transporte público que levava correio, mercadorias, bagagens e pessoas de Lisboa ao Porto.











Museu Nacional dos Coches

Avenida da Índia n.º 136 | 1300-300 Lisboa
Tel: +351 210 732 310
N 38.696602, W -9.198740

Picadeiro Real

Praça Afonso de Albuquerque | 1300-004 Lisboa
Tel: +351 210 732 319
N 38.415152, W 9.115907

Horários

Aberto de 3ª a domingo entre as 10h e as 18h

Bilhetes

Museu Nacional dos Coches €6
Picadeiro Real €4
Bilhete Coches (Picadeiro Real + MNC) €8

Espaço cultural e de lazer público

Aberto ao público no dia 23 de maio deste ano, num fim de semana que contou perto de 20 mil visitantes, o novo Museu dos Coches não tem portas e ergue-se qual nave suspensa, a uns bons metros acima da Praça do Museu, uma zona de acesso livre ao lazer público. O arquiteto Paulo Mendes da Rocha assinou este novo equipamento cultural, com espaços dedicados à exposição permanente e temporária, áreas de reservas e uma oficina de conservação e restauro, além de novos espaços destinados à biblioteca e ao arquivo, assim como um auditório que potencia a realização de um conjunto de atividades culturais que visam engrandecer a programação pública do museu. Porque o Museu dos Coches é ao mesmo tempo um lugar público, acolhe os visitantes com espaços de restauração, uma loja do museu e um posto de informação turística.

Recorde-se que também a 23 de maio, mas do ano de 1905, tinha sido inaugurado em Lisboa o Museu dos Coches Reaes por iniciativa da Rainha D. Amélia d’Orleães e Bragança. E naquele que é o antigo Picadeiro Real (que sempre pertenceu ao Palácio de Belém) ainda lá ficou um núcleo expositivo visitável com quatro coches e quatro berlindas, a galeria de pintura da família real, assim como um conjunto de acessórios e objetos de cavalaria.

O Museu dos Coches apresenta-se num núcleo constituído por três polos: o novo edifício com a coleção completa dos coches reais e outros veículos; o antigo Picadeiro Real com a memória histórica do picadeiro e do museu; e também o picadeiro atual que foi renovado e que é sede da Escola Portuguesa de Arte Equestre, que em breve apresentará sessões de arte equestre.



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