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Lisboa a pedal

Lisboa é uma cidade quente e íngreme onde é praticamente impossível andar de bicicleta. Nada mais falso. Com exceção das sete colinas em torno da Baixa, a capital é uma cidade plana, onde o clima ameno ao longo de todo o ano convida a umas boas pedaladas.



A topografia garante-nos que 80% da área de Lisboa é praticamente plana. É possível ir de Algés à Expo sempre à beira-rio e sem grandes declives, ou pedalar de São Sebastião da Pedreira a Telheiras, sem subidas e descidas. E com mais de 40 quilómetros de ciclovias, já nem o trânsito automóvel é desculpa. Talvez por isso, andar de bicicleta se tenha tornado uma moda que, como todas as modas, tem as suas particularidades e regras.

Para quem está a começar, a primeira dificuldade está na escolha. Mas nós ajudamos!

Hoje, há modelos para quem tem espírito um desportivo, para quem é mais radical, para quem quer apenas passear, ou mesmo para os assumidamente mais preguiçosos.

As desculpas acabaram, escolha o modelo que mais lhe agradar e vá pedalar. Bom passeio!

Se tem espírito desportivo, uma mountain bike para palmilhar os trilhos do parque florestal de Monsanto é a escolha acertada.

Se tem ADN de desportista ou um espírito radical, opte por uma freeride, uma BTT ou por uma bicicleta de corrida, que lhe permitirá pedalar pelas estradas, ao melhor estilo dos ciclistas profissionais.

Se quer apenas passear, o melhor é optar por uma clássica bicicleta urbana, também conhecidas como city bicycles, ou bicicletas de passeio. Se precisar de a transportar e tiver um carro pequeno, escolha uma dobrável, que cabe no porta-babagens do carro.

Para os que são um pouquinho mais preguiçosos, há bicicletas com um pequeno motor elétrico que permitem fazer batota naquelas subidas mais íngremes e que também existem na versão dobrável.

Agora que as desculpas acabaram, escolha o modelo que mais lhe agradar e vá pedalar. Bom passeio.









Para todas as ocasiões

As bicicletas podem parecer todas iguais, mas a verdade é que há uma variedade de marcas, de tipos e até de estilos diferentes, que se ajustam ao gosto de cada um. Das marcas mais populares às premium, é todo um mundo que se oferece ao comprador. Para cada uso há um modelo apropriado: de passeio para a cidade, máquinas resistentes para trilhos e todo-o-terreno, de corrida para bater recordes em estrada aberta ou para aventuras radicais, como o enduro ou o downhill.

Não se esqueça de que há selins apropriados para homens e mulheres, e que nos modelos de senhora o tubo superior do quadro é inclinado, facilitando a subida e a descida.


Fotogaleria

1 City Bikes

Também conhecidas como bicicletas urbanas, de cidade ou de passeio. Podem ter quadro de alumínio, mais leve de transportar e durável, e têm normalmente dentre 18 e 24 mudanças, desmultiplicadas pelos dois carretos da corrente. Apostam sobretudo no conforto e daí terem o selim largo e macio, fabricado em gel. As city bikes estão equipadas com pneus próprios para bons pisos, embora admitam pequenas aventuras em trilhos de terra, desde que em bom estado. Como têm na cidade o seu habitat natural, vêm equipadas com luzes à frente e atrás e com cestos para transporte de pequenos objetos.

2 Dobráveis

Tal como as city bikes, foram desenvolvidas para uso urbano, com a vantagem de se poderem dobrar, o que facilita o transporte no porta-bagagens do carro, nos transportes públicos ou até nos elevadores. São leves e confortáveis. Para facilitar a dobragem, estão habitualmente equipadas com pequenas rodas de 20 polegadas. Mas encontra-as com rodas maiores.

3 Estrada

Feitas para acelerar na estrada, com pneus muito estreitos, não têm suspensão nem amortecedor e são muito leves, graças aos seus quadros fabricados em materiais ligeiros, como o alumínio, a fibra de carbono ou o titânio. São verdadeiras bicicletas de corrida, capazes de percorrer grandes distâncias sem dificuldade.
O selim é mais elevado que o guiador, obrigando o ciclista a ficar numa posição quase deitada, igual à que vemos nos ciclistas profissionais, com vantagem aerodinâmica evidente para quem procura a máxima velocidade. Têm até 20 mudanças (que podem ser hidráulicas ou elétricas, nos modelos mais sofisticados), e rodas de 26 ou 28 polegadas. As topo de gama pesam 6,5 kg e podem custar 15 mil euros.

4 Elétricas

São bicicletas de passeio, projetadas sobretudo para as cidades. Mais ou menos sofisticadas e com preços que começam a partir dos 1.000 euros, a e-bikes atingem velocidades de 25/30 km/h e têm autonomias que, em trajetos planos, se aproximam dos 100 quilómetros. São normais bicicletas a que foi acoplado um pequeno motor elétrico, que serve para ajudar nas situações que exigem maior esforço, substituindo as mudanças manuais. Nos modelos mais avançados, uma série de sensores deteta o nível de esforço nos pedais e, se for necessário, ativa automaticamente a assistência do motor elétrico.

5 MTB

As Mountain bikes (MTB), também conhecidas como BTT, com os seus pneus grossos e piso próprio para o todo-o-terreno, são uma espécie de SUVs de duas rodas, apropriados para trilhos de terra e terrenos acidentados, com neve ou lama. Também podem ser usadas na cidade e com pneus lisos são adequadas para o cicloturismo. Têm o quadro e rodas de 26 a 29 polegadas, muito resistentes, chegando a ter 27/30 mudanças. É nas MTB (mountain bike) que encontramos a maior variedade de gamas. Podemos optar por uma bicicleta com suspensão dianteira, as hard tail. As bicicletas com suspensão total são as preferidas dos espíritos mais aventureiros. Têm suspensão à frente e amortecedor atrás. São mais pesadas e mais caras, mas também mais cómodas. Há modelos para XC, enduro, all mountain, freeride, gravity e por fim as de downhill, as mais radicais de todas.

6 Pasteleiras

Têm como inspiração as velhinhas bicicletas do amolador de facas ou do padeiro, com um indisfarçável look dos anos 60. Estão na moda, muito dentro da atual tendência retro-chic.
São robustas e pesadas, mas confortáveis,têm habitualmente rodas de 26 ou 28 polegadas.
Uma das características das pasteleiras é o facto de não terem mudanças e, por isso, exigirem maior esforço nas subidas. Em contrapartida, são de mecânica muito simples e barata.
Uma das marcas portuguesas mais conhecidas é a Yé-Yé, de Águeda, mas há muita pasteleira recuperada para venda em segunda mão.

7 Single speed

São uma aposta minimalista e muito na moda para circular na cidade. O nome indica que não têm mudanças.
Nalguns modelos nem sequer há travões no guiador, bastando andar para trás com os pedais para travar. Têm, por isso, uma mecânica muito simples. As single speed são um dos tipo que está mais na moda e há numa enorme panóplia de formas e cores, algumas quase berrantes. Uma solução para quem não quer passar despercebido.

8 Downhill

São uma variação das mountain bike concebida para descer ladeiras íngremes e escadas, nos parques florestais, nas encostas pedregosas e até colinas de cidades. Há uma prova de downhill em Lisboa, que consiste em descer a encosta do Castelo, do alto de Alfama até à Baixa. Estas bicicletas têm um quadro sobredimensionado e pesado, com suspensões dianteira e traseira de grande curso e travões de disco. A distância entre os eixos também é maior.
De todas as MTB, as downhill são as mais limitadas e as que exigem melhor destreza, pois destinam-se apenas a descer. Se quisermos subir, levamo-las pela mão.

9 BMX

As BMX são bicicletas muito urbanas vocacionadas para as acrobacias. É com estas bicicletas que os ciclistas mais arrojados saltam muros, descem corrimões e transpõem obstáculos fora do alcance da maioria de nós. São por isso as bicicletas escolhidas pelos jovens radicais, sendo normal encontrar BMX nas pistas de skate.
Têm rodas de 20 polegadas e quadros muito compactos e rígidos, para poderem aguentar os maus tratos, os saltos, as manobras e acrobacias mais radicais. Geralmente permitem a rotação a 360º do guiador e como não têm mudanças, não são as mais indicadas para passeios muito longos.









Antes de sair

1 Não deve comprar uma primeira bicicleta muito cara. Só depois de alguns meses de prática ficará a saber se o que comprou é, ou não, o que precisava. É preferível trocar uma primeira bicicleta barata por outra boa e mais cara, do que ser obrigado a trocar logo uma bicicleta que lhe custou muito dinheiro.

2 O tamanho do quadro está intimamente ligado com a altura: do XS (46 cm), para pessoas com menos de 1,62 metros de altura, ao XL (59 cm), para quem tem 1,88 metros ou mais. Não a escolha só porque gosta do design ou da cor.

3 Não faz sentido comprar uma bicicleta de suspensão total se vai circular apenas em estradas de terra batida e ciclovias.

4 Não compre uma bicicleta de quadro rígido se o que vai fazer são descidas íngremes, descer falésias, desafiar a gravidade e dar grandes saltos com os amigos.

5 Escolha sempre uma bicicleta com mudanças precisas e que não desafinem. É muito aborrecido recorrer frequentemente a um mecânico para fazer afinações.

6 Siga as cinco regras de ouro. 1) Use sempre capacete. Em caso de queda pode ser a diferença entre um arranhão e um problema mais grave; 2) Use óculos de proteção. Mesmo em asfalto, uma pequena pedra projetada pelo pneu de um automóvel, pode cegar ou provocar uma lesão grave nos olhos; 3) Se faz BTT, nunca pedale sem a companhia de alguém. Em caso de acidente, pode ser a sua salvação; 4) Circule na via pública sempre em fila indiana. Um automóvel aproxima-se do ciclista muito mais depressa do que o ciclista imagina e um ciclista circula muito mais devagar do que um automobilista julga; 5) Faça-se ver. Use luzes e cores vivas. A regra é ver e ser visto.

Paragens obrigatórias

Slow fast cycles

slowfastcycles.com

É loja, oficina, café e tem até um ateliê onde nos ensinam a restaurar e a cuidar das nossas bicicletas. Também vende bicicletas usadas. Há um serviço de aluguer e um hotel onde as máquinas dos clientes podem passar as noites. O catálogo de bicicletas e peças é extraordinário!

Doca de Santo Amaro, Armazém 7 | Docas
Tel.: 218 250 266
Horário: 10h-19h de terça a domingo. Encerra à segunda-feira.

Velocité Café

facebook.com/VelociteCafe

Fica a uma centena de metros do El Corte Inglês. É simultaneamente um café, uma loja e uma oficina, com uma pequena esplanada para quem quiser fazer a sua pausa ao ar livre. Tem uma oferta variada de bicicletas de todos os tipos, peças e acessórios.

Av. Duque de Ávila, 120 A | São Sebastião / Avenidas Novas
Tel.: 213 545 252
Horário: 8h-20h, de segunda a sexta, e 9h-20h aos fins de semana.


Whitout Stress

biclas.com

Loja de bicicletas e acessórios, também tem um serviço de aluguer e venda de bicicletas usadas. É o ponto de paragem obrigatório para quem pedala pela zona histórica da cidade.

Lg. de São Julião, 20-21 | Baixa (junto à Pç. do Município)
Tel.: 210 171 165
Horário: 10h30-14h e 15h-19h, de segunda a sábado.

Mega Aventura

megaaventura.com

É uma completíssima loja de bicicletas, com uma oferta que cobre praticamente todas as modalidades e estilos. É, desde 2006, loja oficial da marca Specialized.

R. Ferreira Borges, 143 | Campo de Ourique
Tel.: 213 864 489
Horário: 10h-13h30e 14h30-20h, nos dias úteis, e 10h-13h e 15h-18h30, aos sábados.