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Fast food gourmet e de autor

Pizzas, pregos, hambúrgueres e conservas são a nova tendência da restauração gourmet. Assinados por alguns dos melhores chefs, as propostas multiplicam-se, com pitadas de inovação e originalidade, transformando a fast food numa opção cosmopolita para ser saboreada com tempo e algum requinte.









No 777 Burger, de Las Vegas, o hambúrguer pode custar 70 dólares… ou 10 vezes mais, se seguir a sugestão do chef e o acompanhar com uma garrafa de champanhe rosé Dom Pérignon

Henrique Sá Pessoa, José Avillez e Olivier Costa são alguns dos chefs que abriram espaços próprios para as suas pizzas e hambúrgueres de autor. Por seu lado, Honorato, Hamburgueria do Bairro e H3 são assinaturas que vieram dignificar os hambúrgueres, enquanto La Finestra, Zeno e D’Oliva fazem o mesmo pelas pizzas.

A ideia de um hambúrguer gourmet surgiu em Nova Iorque, quando o chef francês Daniel Boulud acrescentou novos ingredientes às receitas originais, como trufas, justificando que o seu hambúrguer custasse seis vezes mais do que um menu McDonalds (veja o vídeo completo mais abaixo). Estávamos em 2001. A ideia pegou e desde então a criação de hambúrgueres caros tornou-se uma moda que se espalhou pelos restaurantes de todo o mundo.

Nos Burger Bar de São Francisco, Las Vegas e São Luís, o chef Hubert Kelle, do restaurante de luxo The Rossini, cobra um mínimo de 60 dólares pelos seus hambúrgueres. No 777 Burger, de Las Vegas, o hambúrguer pode custar 70 dólares… ou 10 vezes mais, se seguir a sugestão do chef e o acompanhar com uma garrafa de champanhe rosé Dom Pérignon.

E até as grandes cadeias americanas de fast food aderiram à tendência. No Burger King de West London, foi criado, em 2008, um hambúrguer especial e exclusivo, batizado simplesmente como The Burger, que, à época, foi considerado o mais caro hambúrguer do mundo. Por 300 libras, o cliente tinha direito a um hamburguer de bife Wagyu, com cogumelos, presunto espanhol Pata Negra e tempura, preparado em champanhe Crystal, em pão de trufas e açafrão iraniano.

A moda alastrou dos hambúrgueres a outros tipos de sanduíches, às pizzas e às conservas, dos EUA à Europa, e hoje é apenas limitada pela criatividade dos chefs. Hambúrgueres de soja, de bacalhau, de salmão ou de alheira, hotdogs de marisco, pizzas com massa de espinafres, de tomate ou de cereais, wraps de bacalhau ou borrego, tibornas e bruschettas de conservas, empadas de bacalhau à Brás ou cozido à portuguesa são apenas alguns exemplos. Afinal, como anuncia o restaurante Can the Can, “A comida enlatada tornou-se gourmet.” Que é como quem diz, roubando o refrão à cadeia H3, chegou a hora de nova hamburgologia, que é (not so) fast food e gourmet.

A receita original do chef Daniel Boulud

Vídeo: Youtube / Em inglês










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